Chegamos a Israel. Agora são 6:40h da manhã aqui (00:40h no Brasil) e estamos esperando nossas malas chegarem, em frente à esteira 6 no aeroporto Ben Gurion.
Daqui a pouco saímos para tomar café e começar nosso dia, que inclui visitar Cesaréia e percorrer a costa do Mediterrâneo na direção norte até a fronteira setentrional em Rosh Hanicrá. Depois seguimos a Shlomi, no Galil, onde pernoitaremos.
quarta-feira, 30 de abril de 2014
Mensagem de Teddy
Nossa visita à Polônia termina em alguns instantes. Mas não sem antes termos o privilégio de encontrar no aeroporto uma pessoa muito especial, o senhor Teddy Bolgar, húngaro, sobrevivente da Shoá.
Após responder algumas algumas perguntas do grupo e contar um pouco sobre sua vida, durante e após a guerra, ele mandou uma mensagem, para nós e para todos aqueles que seguem esse blog.
Após responder algumas algumas perguntas do grupo e contar um pouco sobre sua vida, durante e após a guerra, ele mandou uma mensagem, para nós e para todos aqueles que seguem esse blog.
No Aeroporto
Estamos no Aeroporto Frederic Chopin, em Varsóvia. Agora são 23:20h aqui na capital polonesa (18:20h no Brasil), em menos de uma hora embarcamos para a segunda etapa de nossa jornada - em Israel.
Aeroporto de Varsóvia
Aeroporto de Varsóvia
Aeroporto de Varsóvia
Treblinka
Agora são 20:20 aqui na Polônia, 15:20h no Brasil. Estamos jantando e, em minutos, vamos para o aeroporto. Nosso voo deixa a capital polonesa às 23:30 e deve chegar pela manhã em Tel Aviv.
Nossa última estação na Polônia foi Treblinka, um campo de extermínio projetado para assassinar com eficiência e exterminar, principalmente a comunidade de Varsóvia e redondezas. Lá pereceram cerca de 870.000 judeus.
Os próprios nazistas, ainda durante a guerra, desmontaram o campo e tentaram destruir todas as evidências da terrível indústria de morte que ali havia sido instalada. No lugar onde havia o campo de extermínio, hoje existe um museu e monumentos de pedra, com mais de 17 mil monolitos, espalhados por todos os cantos, com os nomes das comunidades das quais foram deportados judeus para morrer em Treblinka.
Os próprios nazistas, ainda durante a guerra, desmontaram o campo e tentaram destruir todas as evidências da terrível indústria de morte que ali havia sido instalada. No lugar onde havia o campo de extermínio, hoje existe um museu e monumentos de pedra, com mais de 17 mil monolitos, espalhados por todos os cantos, com os nomes das comunidades das quais foram deportados judeus para morrer em Treblinka.
Eram nossos últimos momentos na Polônia. Falamos sobre o que sentimos e sobre o que esperávamos que viria no futuro. Qual nosso papel como jovens na construção de um futuro melhor e como essa experiência juntos na Polônia afeta cada um de nós.
Mais tarde, quando o tempo permitir, conto mais sobre nossas visitas de hoje e postarei alguns vídeos. Agora, estamos saindo para o aeroporto.
Até mais.
Tykocin
Vista do nosso Hotel em Varsóvia - Noite
Vista do nosso Hotel em Varsóvia - Manhã
Chegando em Tykocin
Sinagoga de Tykocin
Trouxemos de volta vozes de alegria e júbilo para essa sinagoga que celebrou tantos shabatot, tantos casamentos e festas. Festas de Simcha Torá e Rosh Hashaná durante quinhentos anos. Cantamos e dançamos no interior desse prédio vibrante.
Sinagoga de Tykocin
Sinagoga de Tykocin
Sinagoga de Tykocin
Tycocin - Praça do Mercado
De lá, fomos até o bosque de Lupochowa, nas proximidades da cidade. Marchamos pela tranquila floresta até as clareiras criadas pelos nazistas e onde se encontram enterrados, em uma vala comum, todos os membros da comunidade. Em único dia, 25 de Agosto de 1941, os nazistas levaram todos os judeus da cidade até a floresta, onde foram despidos, fuzilados e atirados nas valas comuns. Em um único dia, 500 anos de vida judaica foram destruídos, sorrisos de crianças silenciados, sonhos e esperanças despedaçados.
Fizemos uma cerimônia e recitamos o Kadish por todos aqueles que não tiveram um enterro, nem deixaram uma família para enlutar-se. Não deixaram um filho para recitar kadish - avós, filhos e netos desapareceram da noite para o dia.
Floresta de Lupochowa
Floresta de Lupochowa - Vala Comum
Floresta de Lupochowa - Vala Comum
Agora estamos a caminho de Treblinka, nossa última parada na Polônia. Devemos chegar ao campo de extermínio em uma hora. De lá, seguimos para Varsóvia, jantamos e vamos ao aeroporto - embarcar para Israel.
Mais tarde, quando o tempo e a conexão permitir, compartilharei com vocês um vídeo de nossa visita a Tykocin e Lupochowa.
Até mais.
terça-feira, 29 de abril de 2014
Carta ao Inferno
Hoje encerraremos a primeira etapa de nossa jornada longe de casa. Hoje deixaremos a Polônia, com destino a terra de Israel.
É difícil descrever o que significa estar na Marcha da Vida. Certamente significa algo diferente para cada um de nós - para cada um dos que vem para cá e testemunha o que ocorreu aqui - jovens, adultos e até mesmo para sobreviventes da Shoá que retornam. A marcha tem um significado especial e único para cada um.
Um coisa é certa: ao mesmo tempo em que olhamos para o passado e lembramos com profunda tristeza ou revolta o que ocorreu, há uma celebração para todos os que participam da Marcha. Celebramos a vida, a esperança, a tolerância, a dignidade humana e o respeito - cada um à sua maneira. Celebramos a vitória do povo judeu. Uma vitória dolorosa e com sabor amargo, é verdade, mas vencemos. Estamos aqui, hoje, vivos - Am Israel Chai ("o povo de Israel vive") - e deixamos a Polônia hoje com destino ao nosso país, à nossa terra. Os nazistas queriam destruir-nos, mas aqui estamos, juntos unidos, construindo nosso futuro - por isso nós vencemos.
Compartilho com vocês uma carta, escrita pelo avô de uma participante israelense da Marcha da Vida alguns anos atrás. O avô, sobrevivente de Auschwitz, escreve uma carta endereçada ao S.S. que o mantinha no campo. A visão do sobrevivente, duas gerações após seu sofrimento no campo, certamente nos faz refletir sobre a vida.
Israel - O Estado Judeu
É difícil descrever o que significa estar na Marcha da Vida. Certamente significa algo diferente para cada um de nós - para cada um dos que vem para cá e testemunha o que ocorreu aqui - jovens, adultos e até mesmo para sobreviventes da Shoá que retornam. A marcha tem um significado especial e único para cada um.
Um coisa é certa: ao mesmo tempo em que olhamos para o passado e lembramos com profunda tristeza ou revolta o que ocorreu, há uma celebração para todos os que participam da Marcha. Celebramos a vida, a esperança, a tolerância, a dignidade humana e o respeito - cada um à sua maneira. Celebramos a vitória do povo judeu. Uma vitória dolorosa e com sabor amargo, é verdade, mas vencemos. Estamos aqui, hoje, vivos - Am Israel Chai ("o povo de Israel vive") - e deixamos a Polônia hoje com destino ao nosso país, à nossa terra. Os nazistas queriam destruir-nos, mas aqui estamos, juntos unidos, construindo nosso futuro - por isso nós vencemos.
Compartilho com vocês uma carta, escrita pelo avô de uma participante israelense da Marcha da Vida alguns anos atrás. O avô, sobrevivente de Auschwitz, escreve uma carta endereçada ao S.S. que o mantinha no campo. A visão do sobrevivente, duas gerações após seu sofrimento no campo, certamente nos faz refletir sobre a vida.
Carta ao Inferno
Excelentíssimo senhor oficial da S.S.,
Ex-comandante do Campo de Extermínio Auschwitz:
Chegou finalmente o momento de você ouvir o que vou lhe dizer agora - eu, o ex-prisioneiro nº 17724 de Auschwitz.
Eu, que fui transportado, junto com minha família, como se fôssemos animais, num vagão de animais, apertados uns aos outros, durante dois dias e duas noites, até chegarmos ao seu campo sem poder beber água ou sair para fazer as necessidades, nem mesmo uma vez, durante toda a viagem. Não tínhamos nem sequer lugar para sentar. Organizamos um rodízio, para que alguns de nós pudéssemos sentar um pouco de cada vez.
Eu, que fui arrastado violentamente do vagão. Quando chegamos àquele terrível lugar, fui separado de minha família e jamais tornei a ver a maioria deles despido completamente e conduzido a pancadas, junto com um rebanho de gente como eu, humilhada e encurvada, à seleção. Fui escolhido para, por enquanto, continuar a viver e a sofrer. Mas só por algum tempo até que a última gota de minha vitalidade fosse aproveitada.
Eu, que fui vestido com um pijama listrado bem fino e dois pés esquerdos de tamancos de madeira, tatuado com um número e jogado, junto com os outros, na enorme prisão.
Eu, que fui humilhado de todas as maneiras possíveis, que passei fome além dos limites imagináveis, que comia uma papa feita de beterraba suja, dentro de um pinico retirado dos pertences roubados aos judeus, junto com outros nove prisioneiros; tínhamos que comer com as mãos, sem colher ou garfo, cada um por sua vez, e cada um olhava com olhos famintos para seu companheiro, vigiando quanto ele comia.
Eu, que fui açoitado quinze vezes com um grosso fio elétrico, quando tentei pegar umas cascas de batata da lata de lixo da cozinha dos S.S..
Eu, que trabalhei duro 16 horas por dia na mina de sal, em troca de 160 gramas de pão e meio litro de líquido por dia.
Saltei, corri e joguei-me ao chão segundo as exigências e a loucura do oficial de plantão que fazia de Selektzia entre a vida e a morte de vez em quando. O critério de vida era a distância do salto e a velocidade da corrida. E eu, apesar de tudo, continuei vivo e não morri, embora mais de uma vez tenha pensado em parar de lutar e pôr um fim a tudo aquilo.
E agora, aí vai um trecho publicado esta semana num jornal de Israel: “Os membros da delegação de 50 jovens do Movimento Kibutziano Unido depositaram um ramo de flores, empunhando a bandeira de Israel. No final da cerimônia, os jovens disseram Kadish e cantaram Hatikva.”
Sabe onde foi isso? Em Auschwitz!
Gostaria que você soubesse que uma das jovens da delegação é a minha neta, a neta do prisioneiro de Auschwitz. Passaram-se desde então 42 anos, e durante todo este tempo eu não consegui dominar o terrível sentimento que me torturava: por que eu não me rebelei? Envergonhava-me diante de meus filhos, e quase não lhes contei o que se passou comigo naquele lugar, naquele outro planeta, porque deixei que me conduzissem como um rebanho ao matadouro.
E, veja só, justamente os meus netos (todos eles nascidos em Israel, sabia?) me ajudaram a compreender. Na verdade, eu me rebelei, eu lutei contra vocês, porque vocês queriam que eu morresse ali, para que pudessem espalhar as minhas cinzas juntamente com as cinzas de tantos outros pelos campos de Auschwitz. Mas eu não me rendi diante de vocês. E agora há continuação e futuro. Minha neta passou pelos malditos portões de Auschwitz, uma jovem cheia de orgulho, membro da delegação israelense sob a Bandeira de Israel. E aí, no vale da morte, entoaram o Hino do Estado de Israel.
Pois bem, eu não fui conduzido como um rebanho ao matadouro eu lutei, me rebelei e prossegui. Houve uma guerra entre nós e o vencedor fui eu. Minha neta é o símbolo de minha vitória.
Assinado: O avô de Saguit, da delegação israelense da Marcha da Vida
Boker Tov, Boker Tov! Último dia na Polônia...
Bom dia, Brasil!
Estamos tomando café no nosso hotel. É o nosso último dia na Polônia. Fechamos hoje uma etapa de nossa jornada. Daqui a pouco saímos em direção a Tykocin, na região nordeste do país. De lá, seguiremos para a floresta de Lupochowa, bem próxima ao pequeno vilarejo. Seguimos então para Treblinka, nossa última visita na Polônia. Voltaremos então a Varsóvia, onde jantamos e embarcamos para Israel.
Abaixo o mapa do nosso roteiro. O dia de hoje está representado através das flechas em azul escuro (Varsóvia - Tykocin - Lupochowa - Treblinka - Varsóvia).
Até mais.
Estamos tomando café no nosso hotel. É o nosso último dia na Polônia. Fechamos hoje uma etapa de nossa jornada. Daqui a pouco saímos em direção a Tykocin, na região nordeste do país. De lá, seguiremos para a floresta de Lupochowa, bem próxima ao pequeno vilarejo. Seguimos então para Treblinka, nossa última visita na Polônia. Voltaremos então a Varsóvia, onde jantamos e embarcamos para Israel.
Abaixo o mapa do nosso roteiro. O dia de hoje está representado através das flechas em azul escuro (Varsóvia - Tykocin - Lupochowa - Treblinka - Varsóvia).
Roteiro
Até mais.
Am Israel Chai - Palavras Inspiradas na Despedida de Majdanek
Nada acontece por acaso ou coincidência. Quando estávamos por deixar o campo de Majdanek, hoje à tarde, ouvi uma inconfundível voz, carregada nos erres e com leves erros de concordância, me chamar: "Rabino Presman! Que grande alegria vê-lo aqui! Convida os jovens do seu grupo para se juntar a nós, para que os jovens vão sair daqui (sic) cantando 'Am Israel Chai'!".
Aquela voz conhecida e a maneira serena, porém assertiva de falar, me fez esquecer por um momento as duras imagens que marcam a visita a Majdanek. Era o rabino David Weitman quem me chamava. Um dos principais rabinos do Brasil visitava Majdanek com um grupo de adultos de São Paulo justamente no mesmo momento que o nosso grupo.
Nos juntamos ao grupo paulista, cantamos e dançamos. O rabino então derramou seu coração em palavras. Expressou, com sua incomparável retórica, tudo aquilo que sentimos e sabemos que essa marcha significa. Palavras que saem do coração entram no coração.
Abaixo, o vídeo deste encontro. Uma despedida adequada de Majdanek. Vale a pena assistir!
Mais Imagens de Hoje
Mais algumas imagens de hoje. Daqui a pouco, um vídeo muito especial.
Yeshivat Chachmei Lublin
Yeshivat Chachmei Lublin
Majdanek - Barracão de Desinfecção
Majdanek - Em frente à câmara de gás
Majdanek
Majdanek
Kasimierz Dolny - Monumento
Kasimierz Dolny
Kasimierz Dolny
Kasimierz Dolny
Kasimierz Dolny
Do Arquivo
Revendo as fotos de ontem, encontrei esta, que certamente vale a pena compartilhar. Encontramos em Auschwitz jovens soldados poloneses, que vieram participar das homenagens às vítimas da Shoá.
Assinar:
Comentários (Atom)
